O digital deixou de ser um canal. Agora é o sistema nervoso da empresa.
Se há algo que 2026 já está a dizer ao mercado, e sem grande subtileza, é isto: as marcas que vão sobreviver não são as mais bonitas, nem as mais criativas, nem as que fazem vídeos com drones e música épica. As marcas que vão sobreviver são as preparadas.
Tal como na vida, não adianta ter o melhor outfit se a chuva decide aparecer à moda de Lisboa, do nada. No digital acontece o mesmo. Não serve de muito ter o feed perfeito se a plataforma resolver mudar de humor. E vai mudar, isso é garantido.
A pergunta importante deixou de ser “Estamos a fazer marketing digital?” e passou a ser “Estamos preparados para operar num ambiente digital que muda mais depressa do que o trânsito quando fecha a Segunda Circular?”
Vamos por partes, mas sem complicar. Afinal, Making Digital Simple é mais do que um nome.
O digital deixou de ser um canal. Agora é o sistema nervoso da empresa.
Durante anos, o digital foi tratado como um satélite que orbitava ao redor do negócio principal. Publicava-se quando calhava. Atualizava-se o site quando sobrava tempo. Faziam-se anúncios quando havia orçamento ou quando a concorrência parecia animada.
Mas as empresas que realmente estão a crescer já perceberam outra coisa. O digital não é um acessório. É a própria infraestrutura.
É o que liga marketing a vendas, dados a decisões, equipa a cliente, conteúdo a conversão. Quando o digital funciona como sistema, a empresa ganha previsibilidade, ritmo e eficiência. Quando não funciona, tudo se transforma numa montanha russa KPI-friendly mas emocionalmente desgastante.
Ativos próprios: o seguro de vida digital que devia estar feito há anos
Se há uma lição que 2024 e 2025 nos deixaram, é esta: depender exclusivamente das plataformas é uma espécie de Monopólio onde a banca ganha sempre. As regras mudam, e tu tens de aceitar.
E aconteceram mudanças a um ritmo que faria corar qualquer série cheia de plot twists. Ora vamos relembrar:
Lançou os AI Overviews e tudo mudou. Em poucas semanas, mais de sessenta por cento das pesquisas deixaram de gerar cliques. Sites em primeiro lugar viram o seu CTR cair dramaticamente. Blogs que eram máquinas de tráfego começam a pouco e pouco a ver navios. A IA disse, muito educadamente, “obrigado pelo conteúdo, eu trato do resto”.
Trocou de algoritmo tantas vezes como o tempo muda no Porto. Ora prioriza reels, ora imagens, ora reels outra vez. O alcance orgânico caiu em flecha para muitas marcas. Contas que tinham trinta mil visualizações passaram para três mil sem explicação.
Facebook Ads
O tracking partiu-se com o iOS14 e continua a partir-se a cada atualização. CPAs de 5€ passaram para vinte ou mais. Segmentações certeiras ficaram cegas. O famoso “vamos testar outra coisa” passou a ser frase diária de muitos gestores de tráfego.
TikTok
Começou a penalizar vídeos polidos e a favorecer conteúdo cru, rápido, natural. Quando o teu vídeo parece anúncio, o algoritmo não tem misericórdia.
Passou a promover storytelling real, opinião e vulnerabilidade profissional. Posts excessivamente corporativos perderam tração. As páginas de empresa ficaram quase invisíveis.
E isto foi só nos últimos dezoito meses.
As marcas que dependiam apenas das plataformas sentiram o chão a fugir-lhes. As que tinham ativos próprios, como CRM sólido, newsletter, conteúdos estruturados, automações, base de dados e uma comunidade verdadeira, continuaram a respirar sem ajuda médica.
Volume pertence ao passado. Profundidade é o que conta em 2026.
A IA democratizou a quantidade. Hoje qualquer marca publica vinte posts por dia se quiser. Mas publicar vinte coisas vazias não é vantagem competitiva. É ruído.
O que realmente distingue marcas fortes é a profundidade do que publicam. Conteúdos rasos tornaram-se uma espécie de sopa instantânea: preenche mas não alimenta.
O conteúdo que funciona em 2026 é aquele que resolve problemas reais, explica conceitos com clareza, demonstra experiência genuína, ajuda o utilizador a decidir, reduz a necessidade de reuniões, é sólido o suficiente para ser aproveitado pela IA e, sobretudo, diferencia a tua marca num mar de repetição.
É aqui que entra o espírito Making Digital Simple. Não se publica para encher. Publica-se para fazer sentido.
Conteúdo já não é comunicação. É infraestrutura comercial.
As empresas continuam a subestimar o poder do conteúdo. Pensam que é para “encher o topo do funil”. Mas 2026 está a mostrar outra realidade. O conteúdo certo educa leads antes de falarem com vendas, prepara clientes para a compra, reduz objeções, encurta o ciclo, qualifica automaticamente, melhora campanhas, dá contexto à IA, aumenta autoridade e protege a marca no longo prazo.
Na prática, o conteúdo certo é um comercial que trabalha vinte e quatro horas por dia e nunca pede subsídio de alimentação (nada contra subsídios malta, calma!!)
IA: a melhor aliada para marcas preparadas e a pior inimiga das que improvisam
A IA amplifica tudo. Quando há processos sólidos, a IA acelera. Quando há caos, a IA multiplica o caos.
Se tens estratégia, ganhas velocidade. Se não tens, ficas preso numa avalanche de produção inútil. A IA não tira empregos. Tira desculpas. E tira vantagem competitiva a quem não está organizado.
O futuro não pertence a quem usa IA. Pertence a quem usa IA dentro de operações que já são claras, maduras e simples.
Conclusão: o prémio de 2026 vai para marcas com estruturas simples, sólidas e preparadas
As marcas que vão liderar em 2026 não são as que fazem mais barulho. São as que:
- têm sistemas que funcionam
- produzem conhecimento profundo
- integram dados e equipas, constroem ativos próprios
- simplificam o que é complexo, adaptam-se mais rápido do que as plataformas mudam,
- usam IA como acelerador e não como bengala
- transformam o digital num suporte real ao negócio
O futuro próximo não vai ser mais calmo. 2026 vai parecer 5 anos a passar, ou seja, vem aí um camião. Mas pode ser muito mais simples para quem se prepara.
E no meio deste caos, a simplicidade não é apenas uma vantagem. É uma estratégia. Nós estamos a preparar-nos, e vocês?



